domingo, 18 de outubro de 2015

Sobre Arnaldo Antunes no Guairão, em Curitiba

Confesso ter ficado impressionada com as condições estruturais ontem a noite, no Guairão. A começar pelo som, que não estava legal e a gente podia perceber em expressões faciais do Arnaldo Antunes que, a despeito de ser tão zen, parecia visivelmente incomodado. 




Arnaldo abriu o show com "Antes" e a impressão que eu tive era de que ele usava essa música pra passar o som no palco, com a banda. 









Passado o som com a banda, na sequência veio "Põe Fé que Já É" e, ai sim, eu percebia que ele olhava pra cima, pro pessoal do som e repetia com fervor "agora vai!" pra ver se a coisa se ajustava, mas o som continuava ruim... 






                                      
Mesmo assim ele me matou de chorar quando cantou "Vilarejo" e, parecendo adivinhar que eu ia chorar... 










Na sequência engatou "Saudade Farta" cantando "Nega, eu queria tanto secar o seu pranto, mas eu tô aqui, longe








Arnaldo também ultrapassou a distância em que foi colocado da plateia com sua banda, pulando por cima daquelas caixas de som que os cercavam no segundo plano de palco em que estavam, quase nas coxias (bem longe da plateia) e vindo por diversas vezes pra beirinha do palco, onde sentou, deitou e rolou, tendo ao final descido e caminhado pelo meio do público no Guairão, ou seja, não adiantou nada tentar isolá-lo como deus, lá no fundo do palco! 




A banda da Vilma Ribeiro, cantora e  compositora curitibana que abriu o show (ficando quase o mesmo tempo no palco que Arnaldo e banda), era bem legal, mas, por que não colocaram o Arnaldo e sua banda em primeiro plano, perto da gente, assim como colocaram a Vilma? 

Ah, e quanto ao Guairão, zútelivre de precisar fazer um xixizinho básico depois que você já entrou no teatro: tem que dar a volta ao mundo pra chegar num lugar onde está escrito "banheiros em reforma, dê novamente a volta ao mundo e vá para o outro lado" e, ai, quando você dá a nova volta ao mundo e vai para o outro lado, se depara com a placa "banheiros em reforma, desculpe os transtornos e vá para o andar de cima".

Aliás, vocês podem até me bater, mas eu penso que teatro não é lugar de show! Todas as gentes amordaçadas, sentadas em suas cadeiras, sem poder dançar, aonde já se viu? Ainda bem que, ao final, o Arnaldo levantou a galera, mas, mesmo assim, foram só uns, poucos, minutinhos, do show que já foi curto e que levou da gente pelo menos as duas primeiras músicas passando o som.

Na primeira parte do show, Arnaldo cantou só as músicas novas do novo Álbum "Já É", e depois avisou que ia mesclar as músicas do álbum novo com músicas mais conhecidas.

Ao final ouvi várias pessoas comentando que não gostaram do álbum novo... Talvez aquele velho apego ao que já se conhece. Eu, que já vinha ouvindo o álbum novo há dias, confesso que estou encantada: na minha modesta opinião, é o trabalho mais absolutamente psicanalítico já realizado por Arnaldo. 

Veja-se, por exemplo, a letra de Mágoa ("Se Você Nadar"):

"mágoa você fica mais hostil sem se dar conta não consegue ser legal com quem encontra ela entra e toma conta de você mágoa murcha as flores do jardim como uma praga enche a sua casa de velhos fantasmas deixa o lixo acumulado apodrecer mas se você puder nadar até o outro lado vai ver tudo menos embaçado livre do rancor todo seu amor vai jorrar agora como água " (...)

Mas no geral, o show em si foi uma perfeição! Pena que o som não estava bom, e que eu fiquei com vergonha por ver Arnaldo Antunes incomodado com isso, e que os banheiros eram tão longe, com plaquinha de "desculpe-nos pelos transtornos"... Mas isso deve ser coisa de desgovernos que não estão nem ai para Teatros, um outro papo, prum outro post... 

Por ora prefiro ficar com este bom momento que capturei, do velho e bom Arnaldo Antunes cantando "Lugar Nenhum":







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